quinta-feira, 30 de março de 2017

Um recorte sobre a pesquisa em CSCL: um olhar voltado para a formação inicial de professores de Matemática

O debate sobre a relevância do uso de tecnologias digitais na Educação Matemática está cada vez mais presente na comunidade científica. Uma das razões que levam os pesquisadores a estarem sempre em torno dessa discussão é o fato de que as tecnologias digitais estão em constante evolução, sendo assim, faz-se necessário este debate.
Atualmente as pessoas estão cada vez mais conectadas, seja por dispositivos móveis ou mesmo os computadores e notebooks, queremos sempre estar em contato com outras pessoas de maneira síncrona e trocar informações e arquivos de forma eficiente e rápida. O compartilhamento de informações está evoluindo das mais diversas formas, no meio educacional esta forma de comunicação está se tornando muito necessária. 
A CSCL (Computer Supported Collaborative Learning - Aprendizagem Colaborativa com Suporte Computacional) é uma ciência da aprendizagem que utiliza o computador para conectar pessoas que desejam aprender juntas, isto é, como essas pessoas podem colaborar umas com as outras objetivando uma aprendizagem comum. A princípio, se nos prendermos a esta definição, não parece que esta área de investigação tenha complexidades e peculiaridades suficientes para que a chamemos de ciência. No entanto, conectar pessoas digitalmente e analisar a aprendizagem delas por meio destes dispositivos nem sempre é tão simples. Em minha pesquisa de mestrado realizo uma investigação em torno da CSCL com professores de Matemática em formação, ou seja, alunos da licenciatura. A seguir, farei uma breve descrição sobre a pesquisa, sendo assim, omitirei justificativas para algumas escolhas e quem desejar ler sobre o tema com mais profundidade basta acessar o link do arquivo que deixarei ao final desta publicação.
A necessidade da investigação parte de discussões realizadas em um grupo de pesquisa do qual faço parte, o LEMATEC - UFPE (http://lematec.net.br/lematecNEW/), onde debatemos, publicamos e produzimos pesquisas voltadas para o uso de tecnologias na Matemática. Nos debates do grupo de pesquisa, partiu o interesse de voltar nosso olhar para a CSCL no ensino de Matemática e nos questionamos: Como professores de Matemática em formação podem trabalhar juntos, para elaborar uma aula, utilizando um software em um ambiente colaborativo online? Bom, esta pergunta inicialmente nos pareceu pertinente, mas haviam outros elementos a se considerar na pesquisa como por exemplo: Qual conceito Matemático será o foco na discussão dos licenciandos? A partir de pesquisas anteriores e também por ser um conceito que apresenta muitos obstáculos epistemológicos, trouxemos o conceito de Função para nossa investigação pois, este conceito também modela vários fenômenos e poderiam emergir alguns conhecimentos importantes por meio dele.
Se as funções modelam fenômenos, então pensamos que deveríamos propor aos licenciandos um software que potencializasse a modelagem matemática, já que a partir dela também emergem desafios a serem explorados. Na CSCL os desafios são a chave para que o grupo colabore, ou seja, eles promovem a discussão entre os participantes e geram ideias para explorar o conceito central. Definidos os princípios para a pesquisa começamos a estruturar o experimento, pensando na constituição dos grupos e na estrutura do ambiente colaborativo online.

Constituição dos grupos colaborativos

Para montar os grupos utilizamos a planilha do Google Drive, onde disponibilizamos alguns horários previamente e os licenciandos deveriam optar pelo horário mais conveniente. Utilizamos esta estratégia para que os grupos não fossem formados por afinidade pessoal, uma vez que, os participantes poderiam estabelecer uma discussão prévia às sessões.

Estrutura do ambiente colaborativo

Para montar o ambiente colaborativo utilizamos três softwares basicamente: o Teamviewer, o Modellus e o Google Drive. 

Teamviewer: este software é um programa de compartilhamento de tela, onde o apresentador pode disponibilizar para os participantes de uma reunião o controle remoto de seu computador. Ele basicamente permite que o computador do apresentador da sessão funcione como um dispositivo central, onde as informações relativas à reunião se concentrem em um só local. Isso permite que os outros participantes estejam concentrados juntos, viabilizando a discussão. Como ferramentas, apresenta o chat, vídeo e recurso de áudio, além de um sistema de compartilhamento de arquivos e um quadro branco. O teamviewer é gratuito até um número máximo de 15 usuários por sessão.

Modellus: é um software gratuito desenvolvido na perspectiva do ensino de Física que trabalha basicamente com animações modeladas por funções matemáticas. Um dos diferenciais do software é que ele apresenta as representações das funções em forma algébrica, tabular, gráfica e possui um editor para inserção de informações em língua materna. 

Google Drive: é um pacote de programas online que possui editores de texto, planilhas, formulários, entre outros recursos, que podem ser compartilhados via e-mail e acessados por vários usuários ao mesmo tempo.

Na estrutura do nosso ambiente abrimos uma tela com o teamviewer e convidamos os participantes para as sessões online, através do e-mail. Na tela que foi aberta, disponibilizamos o Google Documentos - que faz parte do pacote do drive - e o Modellus. A estrutura do ambiente pode ser melhor observada na imagem a seguir:


Descrição do experimento

O experimento se concentrou em três fases:

1ª Fase - Discussão sobre dificuldades:

Nesta fase inicial do experimento, por meio do teamviewer, começamos uma discussão sobre as dificuldades dos alunos na Educação Básica sobre a aprendizagem de funções. A partir da vivência em sala de aula ou vivência própria os licenciandos elencaram e debateram sobre essas dificuldades dos alunos, com o intuito de traçar algumas metodologias de ensino para a elaboração da aula.

2ª Fase: Elaboração de objetivos de aula

Nesta fase, no google documentos, os licenciandos começaram a traçar alguns objetivos de aula.

3ª Fase: Elaboração da aula:

Nesta fase, a partir dos objetivos elencados, os licenciandos estruturam a proposta de atividade no documento. Após a estruturação da proposta, eles começam a pensar em possibilidades de animações a serem construídas no Modellus para o ensino de funções.

Dados Coletados

Os dados que foram coletados no teamviewer correspondem a arquivos de áudio e chat gravados das conversas do pesquisador com os licenciandos. Cada grupo pôde discutir e traçar sua estratégia de aula, sempre acompanhados do pesquisador que permaneceu apenas para esclarecimentos sobre a proposta do experimento.

Análise e resultados

Os dados coletados foram transcritos e analisados por meio da Análise de Conteúdo de Bardin (1977). Foram consideradas as falas de cada sujeito como unidade de análise, além do conjunto de falas que foram organizadas em categorias que chamamos de conversas. 
Traçamos algumas categorias importantes referentes ao aspecto colaborativo, de conhecimentos emergidos e de entraves. Observamos que um grupo de três que foram analisados conseguiram colaborar, pois estavam em número menor de participantes e isso favoreceu a comunicação diante dos dispositivos tecnológicos que foram disponibilizados nas sessões. 
As informações detalhadas podem ser lidas no documento original da pesquisa disponível no link: http://gente.eti.br/edumatec/index.php?option=com_phocadownload&view=section&id=6&Itemid=296.

Referências

ARAÚJO FILHO, R. M. ANÁLISE DA COLABORAÇÃO EM SITUAÇÃO DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE MATEMÁTICA ONLINE. Dissertação de Mestrado Defendida no Programa de Pós-graduação em Educação Matemática e Tecnológica - EDUMATEC, da Universidade Federal de Pernambuco, 2015.

Um comentário:

  1. Oi Roberto, sua pesquisa vai colaborar com o ensino e aprendizagem matemática. Eu preciso aprender essa abordagem.

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